Há 10 anos, nesse mesmo lugar que estamos sentados, nós nos (re)conhecemos.
Mas, na verdade, a gente já se conhecia de outras vidas.
Nossas almas sempre deram um jeito de se achar, em outros tempos, em outros corpos, em outras histórias. Só faltava essa.
Quando nos vimos, foi como se o tempo parasse. Não era ansiedade de primeiro encontro. Era reconhecimento. Como quem finalmente encontra a peça que faltava num quebra-cabeça que vem sendo montado há séculos. Sentamos nessas pedras, olhamos o lago, o céu, a vida, e passamos mais de 5 horas ali, rindo, contando histórias, nos descobrindo. Até que, em um dado momento, um brilho se destacou no céu. E, sem saber o que era, a gente brincou: "É uma nave espacial!".
Essa brincadeira virou nossa. Virou símbolo. Virou identidade. E, desde então, até nos nossos dias mais importantes, uma pequena nave aparece para lembrar que o inesperado, o mágico e o cósmico sempre estiveram do nosso lado, inclusive nesse casamento, escondida em cada detalhe que vocês vão perceber.
Dali uns dias, nós entendemos. O universo nos juntou naquela tarde para não correr o risco da gente se perder nessa vida. Porque a gente já se amou em outras vidas, em outros tempos, em outros corpos, e cada uma delas foi especial à sua maneira. A beleza disso tudo é que, mesmo depois de tanto tempo, a gente conseguiu se achar de novo. Mais uma vez. Como se nossas almas sempre dessem um jeito de voltar uma pra outra. E essa, aqui, é mais uma dessas vidas em que a gente se reencontrou.
Há 6 anos, no mesmo local, aconteceu o pedido. Sem plateia, sem testemunhas. Só nós dois, porque sempre fomos assim. Nós nos bastamos. Podemos passar horas, dias, semanas sem ver ninguém, que não rola tédio nem silêncio estranho. Sempre tem o que conversar. Sobre a vida, o universo, a filosofia, um bom vinho em casa, ou o que os gatos aprontaram enquanto a gente trabalhava. Naquele momento, com o lago atrás e o céu testemunha, a gente começou a sonhar de verdade.
E sonhamos alto.
Moramos juntos. Adotamos um cachorro e um gato, que enchem nossa casa de bagunça e amor. Tentamos empreender juntos , e aprendemos que nem toda jornada é reta. Tivemos um breve tempo de distanciamento, sim. Mas, se podemos ser sinceros, aquele tempo não foi um corte. Foi uma cura. Foi o tempo que o amor precisou para moldar o que ainda faltava em cada um, para raspar as arestas, para nos devolver mais inteiros, mais prontos, mais nossos. E quando voltamos, voltamos para ficar. Para sempre.
Hoje, olhando pra trás, o maior aprendizado que essa história nos deu é simples e profundo: o amor pode tudo. Cura tudo. Une tudo. E conserta tudo. Não importa se a vida desvia, se o céu escurece ou se um brilho no horizonte parece uma nave espacial. O que importa é que estamos juntos.
Por isso, no dia 12 de setembro, celebraremos nosso casamento com as pessoas que mais amamos.
Vai ser um dia de muito amor, de energias boas, de risadas , iguais aquelas das pedras , e de celebração pura. Mais bonito do que qualquer sonho que a gente ousou sonhar. Porque, no fundo, não é sobre uma festa. É sobre duas almas que, depois de tanto tempo vagando por aí, finalmente chegaram em casa.
E essa casa, agora, tem nome, tem data e tem vocês pra testemunhar.